Se você está pensando em saber como funciona um curso de Licenciatura em História, já deve ter se perguntado se vale a pena entrar nessa área.
Será que ainda há mercado para o professor de História? O curso é difícil? E o salário, compensa?
Muita gente se matricula cheia de expectativas, mas acaba frustrada com a realidade. Carga horária apertada, estágios exigentes e pouco reconhecimento podem fazer você duvidar da escolha.
Por outro lado, há sim bons motivos para seguir firme nesse caminho. A História é uma das áreas mais versáteis da licenciatura, com possibilidades que vão além da sala de aula.
Neste texto, eu explico como funciona o curso, quais são as disciplinas mais comuns, as modalidades disponíveis, áreas de atuação, salários e os desafios reais que ninguém conta antes.
Como Funciona O Curso De História? (Grade, Disciplinas E Práticas)
O curso de Licenciatura em História tem duração média de quatro anos, divididos em oito semestres.
É uma formação de nível superior voltada à preparação de professores para a Educação Básica.
Sua estrutura é regulamentada pelo Ministério da Educação (MEC), com base nas Diretrizes Curriculares Nacionais (Resolução CNE/CP nº 2, de 1º de julho de 2015) e nas diretrizes específicas da área (Resolução CNE/CES nº 1, de 18 de fevereiro de 2019).
A formação é voltada para a atuação na Educação Básica, principalmente nos anos finais do Ensino Fundamental e no Ensino Médio.
O foco está no domínio dos conteúdos históricos, no desenvolvimento do pensamento crítico, na compreensão das dinâmicas sociais e na mediação didática desses saberes em sala de aula.
A carga horária mínima definida pelo MEC para a Licenciatura é de 3.200 horas, distribuídas da seguinte forma:
- 1.600 horas dedicadas à formação específica na área de História;
- 800 horas destinadas à formação pedagógica;
- 400 horas de estágio supervisionado obrigatório;
- 200 horas para atividades complementares (eventos, monitorias, pesquisas, iniciação científica, etc.);
- O Trabalho de Conclusão de Curso (TCC), embora não obrigatório por lei, é exigido por grande parte das instituições como parte da formação reflexiva e crítica.
A matriz curricular se organiza em três grandes eixos, conforme orientações do MEC:
-
Formação Teórica e Conteúdos Históricos
-
Disciplinas Pedagógicas e Práticas de Ensino
-
Estágio Supervisionado e Atividades Complementares
Essa estrutura garante que o licenciado saia da graduação capacitado a ensinar, planejar, pesquisar, avaliar e refletir criticamente sobre a prática docente em História.
As instituições que oferecem o curso devem manter uma articulação permanente entre teoria e prática, garantindo o desenvolvimento de competências que permitam ao professor atuar com autonomia, responsabilidade e domínio didático.
Esse modelo é aplicado tanto em cursos presenciais quanto em programas híbridos ou EAD, com as adaptações exigidas para as modalidades.
Formação Teórica E Conteúdos Históricos
A base do curso de Licenciatura em História é composta por um núcleo sólido de disciplinas teóricas. Elas abrangem diferentes temporalidades, geografias e abordagens metodológicas.
Nos dois primeiros anos, o foco está em desenvolver o conhecimento crítico sobre os principais processos históricos da humanidade.
As disciplinas obrigatórias incluem História Antiga, Medieval, Moderna, Contemporânea, do Brasil Colonial, Imperial e República. Em muitas instituições, esses conteúdos são divididos em dois semestres cada.
Além da cronologia, o estudante também é introduzido a disciplinas de metodologia da pesquisa histórica, teoria da história, historiografia e leitura de fontes primárias.
A formação exige leitura constante de textos acadêmicos, interpretação crítica de documentos e familiaridade com debates historiográficos.
Com o tempo, o aluno compreende que a História não é apenas uma sequência de fatos, mas uma ciência social interpretativa, construída a partir de múltiplas perspectivas.
As disciplinas optativas também são importantes. Muitos cursos oferecem História da África, História Indígena, História da América Latina, História das Mulheres e Gênero, entre outras.
Essas abordagens ampliam o repertório crítico e alinham o curso às exigências da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que prevê o ensino de História a partir da diversidade cultural e da pluralidade de sujeitos históricos.
O objetivo é que, ao final do curso, o estudante tenha domínio sobre as principais linhas de interpretação histórica e consiga mediar esse conhecimento com os alunos da Educação Básica.
Disciplinas Pedagógicas E Práticas De Ensino
Além do conteúdo específico, o curso de Licenciatura em História inclui um eixo pedagógico obrigatório, conforme diretrizes do MEC.
Esse conjunto de disciplinas prepara o estudante para atuar como educador, não apenas como historiador.
Entre as disciplinas estão: Didática, Psicologia da Educação, Sociologia da Educação, Filosofia da Educação, Currículo e Avaliação, Legislação Educacional, Gestão Escolar e Educação Inclusiva.
Essas matérias ajudam o aluno a entender a dinâmica da escola, os processos de aprendizagem e o papel do professor dentro da comunidade escolar.
Outro destaque é o componente de Metodologia do Ensino de História, geralmente dividido em dois ou três módulos ao longo do curso.
É nesse espaço que o estudante aprende a planejar aulas, elaborar sequências didáticas, escolher estratégias de ensino, adaptar conteúdos para diferentes faixas etárias e aplicar formas de avaliação coerentes com os objetivos da aula.
Também são comuns oficinas pedagógicas, estudos de caso e simulações de aula, como preparação para o estágio.
As práticas de ensino começam de forma mais teórica, mas ganham intensidade a partir do segundo ou terceiro ano da graduação, com intervenções diretas nas escolas, atividades de observação e produção de materiais didáticos.
O objetivo é formar professores que saibam ensinar com intencionalidade, sensibilidade social e domínio metodológico, promovendo aulas de História significativas e conectadas com a realidade dos alunos.
Modalidades 100% EAD, Semipresencial E Presencial
O curso de Licenciatura em História pode ser encontrado nas modalidades presencial, semipresencial (híbrido) e 100% EAD. Cada formato tem características próprias e atende perfis diferentes de estudantes.
A modalidade presencial ainda é a mais tradicional. O aluno frequenta a faculdade todos os dias, participa de aulas teóricas e práticas, seminários, grupos de estudo e eventos acadêmicos.
Esse formato favorece o contato direto com professores, visitas técnicas, acesso à biblioteca e trocas constantes com os colegas. É indicado para quem tem mais disponibilidade de tempo e busca uma experiência completa dentro do campus.
Já o modelo semipresencial, também conhecido como híbrido, combina aulas online com encontros presenciais obrigatórios.
A parte teórica é feita a distância, mas o estudante precisa comparecer presencialmente em datas específicas para avaliações, encontros formativos, aulas práticas e atividades de estágio supervisionado.
Essa é uma alternativa interessante para quem precisa conciliar trabalho e estudo, mas ainda valoriza a vivência presencial em determinados momentos do curso.
Por fim, existe a modalidade 100% EAD. Nela, o conteúdo teórico é totalmente online, com videoaulas, fóruns, materiais digitais e avaliações feitas na plataforma.
Apesar do nome, o curso não é totalmente remoto. As Diretrizes Curriculares do MEC exigem que algumas atividades — como estágios supervisionados e avaliações finais — sejam realizadas presencialmente.
Isso significa que mesmo no EAD, o aluno precisa estar vinculado a um polo ativo com estrutura mínima para garantir a qualidade da formação.
Independentemente da modalidade escolhida, é fundamental verificar se a instituição é reconhecida pelo MEC, se o curso está autorizado e devidamente credenciado, e se a documentação está atualizada.
Também é importante analisar se o polo de apoio oferece suporte para dúvidas, atividades práticas, estágio e orientação acadêmica.
Optar por uma faculdade qualificada garante que o diploma tenha validade nacional, que a formação seja consistente e que o estudante esteja preparado para os desafios reais da profissão docente.
Cuidado com cursos que prometem concluir a licenciatura em tempo reduzido ou sem exigência de atividades práticas presenciais — isso pode comprometer sua formação e impedir o exercício legal da docência.
Como Funciona O Estágio Obrigatório Em História?
O estágio supervisionado é obrigatório na licenciatura e começa a partir da metade do curso.
No total, o estudante precisa cumprir cerca de 400 horas divididas entre observação e prática.
O estágio é feito em escolas públicas e privadas, com turmas do Ensino Fundamental II e Ensino Médio.
Nessa etapa, o aluno aprende a adaptar conteúdos, lidar com diferentes perfis de alunos e construir uma rotina de ensino coerente com a BNCC.
Áreas De Atuação Para O Licenciado Em História
O licenciado em História não está limitado à sala de aula. Embora a docência seja o caminho mais comum, existem outras frentes de trabalho interessantes.
Atuação Em Escolas Públicas E Privadas
O principal campo de atuação é o ensino de História na Educação Básica.
O professor pode trabalhar em escolas municipais, estaduais ou privadas, lecionando do 6º ano ao Ensino Médio.
Além das aulas, pode coordenar projetos interdisciplinares, feiras culturais, olimpíadas e eventos escolares.
Projetos Educativos, Museus E Centros Culturais
Museus históricos, centros culturais e memoriais contratam profissionais para ações educativas com visitantes e estudantes.
Esses espaços valorizam o conhecimento histórico e a habilidade de traduzir conteúdos acadêmicos para o público geral.
É possível desenvolver exposições, visitas guiadas, oficinas e material educativo.
Produção De Conteúdo Didático E Pesquisa Acadêmica
Editoras e instituições educacionais buscam historiadores para produção de livros didáticos, apostilas, planos de aula e conteúdos para plataformas digitais.
Quem deseja seguir na carreira acadêmica pode fazer mestrado e doutorado, com foco em pesquisa e docência no ensino superior.
As universidades públicas e privadas oferecem concursos e vagas para professores formados com pós-graduação stricto sensu.
Projeção De Mercado Para Os Próximos Anos
Nos próximos anos, o mercado para professores de História tende a passar por transformações intensas — algumas positivas, outras preocupantes.
Nas redes públicas, a demanda por professores com licenciatura completa continua estável, principalmente nos concursos estaduais e municipais. A aposentadoria de docentes mais antigos também abre espaço para novas nomeações.
Por outro lado, o Novo Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017) trouxe mudanças significativas no currículo do Ensino Médio, afetando diretamente a carga horária das disciplinas tradicionais, como História.
Com a ampliação dos itinerários formativos e a redução da carga horária obrigatória da formação geral básica, muitos professores começaram a relatar a diminuição da quantidade de turmas e até a extinção de aulas semanais em algumas escolas.
A História, antes presente em todos os anos do Ensino Médio com 2 ou 3 aulas por semana, passou a disputar espaço com disciplinas eletivas e projetos interdisciplinares.
Em algumas redes, professores perderam parte da carga horária ou foram remanejados para atuar em "projetos" que nem sempre valorizam a formação específica da área.
Essa mudança impacta diretamente o mercado de trabalho.
Menos aulas obrigatórias significam menos turmas e, consequentemente, menos vagas para novos docentes — especialmente no setor privado, onde as escolas se adaptam rapidamente às reformas para reduzir custos.
Por outro lado, há oportunidades em expansão.
A valorização da História como ferramenta de formação cidadã, combate à desinformação e incentivo ao pensamento crítico coloca o historiador em destaque em projetos sociais, plataformas digitais, materiais didáticos e assessorias pedagógicas.
No setor privado, cresce também a procura por conteúdos digitais, videoaulas, e-books, roteiros de estudo e podcasts voltados à área de Humanas.
Profissionais com domínio técnico e boa comunicação conseguem ampliar sua atuação para além da escola — o que será essencial nos próximos anos.
Por isso, quem se forma em História precisa estar atento a esse novo cenário: a formação sólida continua sendo essencial, mas será cada vez mais importante desenvolver habilidades complementares, como:
- Produção de conteúdo online;
- Didática para cursos livres e preparatórios;
- Participação em projetos culturais e educacionais interdisciplinares;
- Capacidade de atuação crítica dentro das novas exigências do currículo.
Em resumo: o professor de História continua necessário, mas precisa se adaptar a um modelo de escola em transição.
Entender essas mudanças é fundamental para garantir empregabilidade e relevância profissional nos próximos anos.
Leia também: Segunda Licenciatura em 6 Meses, Vantagem ou Ilusão?
Salário E Mercado De Trabalho Para O Professor De História
O salário de um professor de História no Brasil é determinado por uma série de fatores legais e regionais.
Para entender o cenário real da profissão, é necessário considerar as leis federais, estaduais e municipais que regem a carreira docente.
A Lei Federal nº 11.738/2008, conhecida como Lei do Piso Nacional do Magistério, define o valor mínimo que um professor com formação em nível médio na modalidade Normal deve receber.
Para os licenciados em História, que têm formação superior, esse piso serve como referência mínima, mas muitos estados e municípios possuem planos de carreira próprios que podem oferecer valores superiores.
Segundo o último reajuste publicado pelo Ministério da Educação (MEC), o piso salarial em 2025 está fixado em R$ 4.580,57 para uma jornada de 40 horas semanais.
Esse valor deve ser seguido por redes públicas de ensino, desde que estejam em conformidade com a lei e recebendo repasses do Fundeb (Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica).
É importante destacar que cada estado brasileiro pode ter sua própria tabela salarial, elaborada com base em planos de carreira regionais. Por exemplo:
- Em São Paulo, o salário inicial de um professor PEB II (que inclui História) é de cerca de R$ 5.300,00 para 40h, segundo a tabela da Secretaria de Educação do Estado (2024).
- No Paraná, o valor base está próximo de R$ 5.200,00, também com gratificações adicionais por tempo de serviço.
- Já em redes municipais, como em Belo Horizonte (MG) ou Curitiba (PR), os valores podem variar entre R$ 3.500,00 e R$ 6.000,00, dependendo da carga horária, do nível de formação e do plano de carreira local.
A melhor forma de acompanhar esses dados atualizados é consultar os sites oficiais das Secretarias de Educação estaduais e municipais, além de acompanhar os informativos do sindicato dos professores de cada região.
Salário Do Licenciado Na Educação Básica
O licenciado em História que atua na Educação Básica, especialmente em escolas públicas, tem seu salário garantido pela Lei do Piso, mas também pode receber gratificações por especialização, tempo de serviço, regência de classe e outras funções pedagógicas.
Em escolas particulares, os valores podem variar bastante. Instituições de médio porte oferecem salários entre R$ 25 e R$ 45 por hora/aula, o que pode representar de R$ 2.500 a R$ 5.000 mensais, dependendo da quantidade de turmas assumidas.
Em colégios privados de grande porte ou com alto desempenho no Enem, os salários tendem a ser mais altos, com possibilidade de ganhos acima de R$ 7.000, especialmente para professores experientes, com pós-graduação e carga horária elevada.
Salário Em Projetos Culturais, ONGs E Editoração
O profissional de História também pode atuar fora da sala de aula, em instituições culturais, projetos sociais, editoras e consultorias educacionais.
Em ONGs e projetos culturais, os salários variam de R$ 2.000 a R$ 4.500 mensais, dependendo da função, da carga horária e da natureza do projeto (temporário, por edital ou contínuo).
Projetos vinculados a leis de incentivo à cultura ou educação costumam ter contratos temporários com valores fixos por período.
Na produção de conteúdo didático, os ganhos são calculados por entrega. Em média:
- R$ 100 a R$ 300 por página escrita ou revisada, em materiais voltados para o Ensino Fundamental e Médio.
- Editoras grandes, como Ática, Moderna e FTD, oferecem contratos fixos ou pagamento por projeto — valores que podem variar entre R$ 3.000 e R$ 12.000, dependendo do volume e da complexidade do material.
A consultoria em formação de professores, elaboração de projetos pedagógicos e revisão de material também são espaços abertos para licenciados em História com experiência e boa rede de contatos.
Projeção De Mercado Para Os Próximos Anos
Nos próximos anos, o mercado para professores de História tende a passar por transformações intensas — algumas positivas, outras preocupantes.
Nas redes públicas, a demanda por professores com licenciatura completa continua estável, principalmente nos concursos estaduais e municipais. A aposentadoria de docentes mais antigos também abre espaço para novas nomeações.
Por outro lado, o Novo Ensino Médio (Lei nº 13.415/2017) trouxe mudanças significativas no currículo do Ensino Médio, afetando diretamente a carga horária das disciplinas tradicionais, como História.
Com a ampliação dos itinerários formativos e a redução da carga horária obrigatória da formação geral básica, muitos professores começaram a relatar a diminuição da quantidade de turmas e até a extinção de aulas semanais em algumas escolas.
A História, antes presente em todos os anos do Ensino Médio com 2 ou 3 aulas por semana, passou a disputar espaço com disciplinas eletivas e projetos interdisciplinares.
Em algumas redes, professores perderam parte da carga horária ou foram remanejados para atuar em "projetos" que nem sempre valorizam a formação específica da área.
Essa mudança impacta diretamente o mercado de trabalho. Menos aulas obrigatórias significam menos turmas e, consequentemente, menos vagas para contratação de novos docentes — especialmente no setor privado, onde as escolas se adaptam rapidamente às reformas para reduzir custos.
Por outro lado, há oportunidades em expansão. A valorização da História como ferramenta de formação cidadã, combate à desinformação e incentivo ao pensamento crítico coloca o historiador em destaque em projetos sociais, plataformas digitais, materiais didáticos e assessorias pedagógicas.
No setor privado, cresce também a procura por conteúdos digitais, videoaulas, e-books, roteiros de estudo e podcasts voltados à área de Humanas.
Profissionais com domínio técnico e boa comunicação conseguem ampliar sua atuação para além da escola — o que será essencial nos próximos anos.
Por isso, quem se forma em História precisa estar atento a esse novo cenário: a formação sólida continua sendo essencial, mas será cada vez mais importante desenvolver habilidades complementares, como:
- Produção de conteúdo online;
- Didática para cursos livres e preparatórios;
- Participação em projetos culturais e educacionais interdisciplinares;
- Capacidade de atuação crítica dentro das novas exigências do currículo.
Em resumo: o professor de História continua necessário, mas precisa se adaptar a um modelo de escola em transição.
Entender essas mudanças é fundamental para garantir empregabilidade e relevância profissional nos próximos anos.
Leia também: Ainda Vale a Pena Ser Professor?
Desvantagens Em Se Tornar Um Professor De História
Ser professor de História é gratificante, mas também exige preparo emocional e consciência dos desafios reais da profissão.
Uma das principais dificuldades é a baixa carga horária da disciplina. Em muitas escolas, História aparece apenas uma ou duas vezes por semana em cada turma.
Isso obriga o professor a acumular várias turmas ou atuar em diferentes escolas para conseguir uma jornada completa.
O resultado é uma rotina cansativa. Muitos docentes precisam se dividir entre duas ou três escolas por dia, o que exige deslocamentos longos e compromete o tempo para planejamento, descanso e formação continuada.
Além disso, as condições de trabalho nem sempre são favoráveis. Há escolas com estrutura precária, falta de salas adequadas, ausência de recursos audiovisuais e bibliotecas desatualizadas.
Outro desafio é a escassez de material didático atualizado. Em vez de livros modernos e alinhados às diretrizes mais recentes, muitos professores precisam buscar conteúdos por conta própria ou adaptar materiais antigos.
A falta de interesse dos alunos também pesa. Em tempos de excesso de informações rápidas, muitos estudantes têm dificuldade em se concentrar e enxergar sentido no estudo de História.
O desinteresse se transforma em indisciplina, e o professor precisa se desdobrar para manter o engajamento em sala.
A ausência de projetos complementares, como feiras culturais, olimpíadas de conhecimento ou concursos de redação histórica, é outro ponto negativo.
Poucas escolas investem nesse tipo de atividade, o que enfraquece ainda mais o vínculo dos alunos com a disciplina.
Mesmo com todos esses obstáculos, a cobrança sobre o professor continua alta. Espera-se que ele planeje aulas criativas, mantenha os alunos motivados, produza relatórios, participe de reuniões pedagógicas e ainda atue em projetos escolares — quase sempre sem aumento de salário ou redução de carga.
Infelizmente, a desvalorização profissional é recorrente. Muitas gestões escolares ainda tratam a História como disciplina secundária, o que se agravou com a reformulação do Ensino Médio, que reduziu ainda mais o espaço da área no currículo.
Para piorar, o reconhecimento financeiro é baixo em grande parte do Brasil. Mesmo com a Lei do Piso Nacional do Magistério, muitos municípios não pagam o valor correto ou não oferecem plano de carreira estruturado.
Por fim, é preciso lembrar que a profissão exige constante atualização. O professor de História precisa acompanhar debates atuais, rever seus planos conforme as mudanças políticas e sociais, e dominar recursos tecnológicos — sem que isso venha, necessariamente, com apoio da instituição.
Apesar de tudo isso, quem entra na área consciente da realidade tem mais chances de se preparar e encontrar caminhos sólidos.
Conhecer os desafios de antemão evita frustrações e fortalece o compromisso com uma educação crítica e transformadora.
Conclusão
A Licenciatura em História vale a pena para quem tem clareza sobre a profissão e paixão por ensinar.
É um curso exigente, que demanda leitura, reflexão e disciplina, mas que abre portas em diferentes setores.
Se você busca apenas um diploma rápido, pode se frustrar. Mas se vê valor na formação crítica, na educação e no debate social, essa graduação entrega.
Agora me conta: qual parte do curso de História mais chamou sua atenção?
Comente e compartilhe com quem também está pensando em seguir esse caminho.


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